Livraria

Desde o começo, as instâncias de Diretoria do ENAPOL 2017 pensaram em dar à LIVRARIA um lugar diferente ao tradicional "posto de venda de livros."

Seguindo essa orientação, começamos a trabalhar com a Comissão e rapidamente surgiram ideias e propostas para dar à LIVRARIA do ENAPOL a forma do que poderíamos chamar de "Instalação", um espaço criativo onde não só se ofereça a possibilidade de adquirir livros e publicações, como também que ela esteja presente como um espaço cultural que contribuirá, a partir dessa perspectiva, para a temática do encontro no Hilton.

A primeira ideia que surgiu foi ler, na apresentação do ENAPOL terça-feira dia 25 de outubro, juntamente com os trabalhos de Flory Kruger e Ernesto Sinatra, algumas cartas e textos de Freud, Nietzsche, Dalí, Joyce e Shriver que trataram de "Assuntos de família", leitura que esteve a cargo de atrizes que surpreenderam com sua performance, gerando um grande entusiasmo e o efeito de que algo diferente tinha acontecido na EOL.

Por outro lado, estamos trabalhando arduamente para agilizar o sistema de compra-venda-pagamento e retirada de livros, e para atualizar o catálogo, inserir-lhe novos títulos e editoras e coloca-los na web o mais rapidamente possível.

Para começar esta primeira comunicação, queremos compartilhar com vocês algumas frases dessas cartas e textos que certamente serão "letras" que deixarão marcas para o ENAPOL 2017 - "Assuntos de família, seus enredos na prática":

  • "A paternidade é uma ficção legal". James Joyce
  • "Durante muito tempo, eu sofri a sangrante ferida que meu pai, impassível, insensível, ignorante de minha dor, inflamava sem cessar com o seu amor impossível por um morto". Salvador Dali
  • "Como mãe, deveria contentar-se em saber que suas três filhas são moderadamente felizes e sacrificar seus próprios desejos às suas necessidades". Sigmund Freud
  • "Minha mãe - a quem eu odiava cada dia mais intensamente desde a minha infância - estava morta". Friedrich Nietzsche
  • "A criança ainda não tem um nome, apesar de que na próxima quinta-feira fará dois meses". James Joyce
  • "Eu não sei como se viram as famílias que educam seus filhos em casa. Kevin parecia nunca me prestar atenção, como se me escutar fosse uma indignidade". Lionel Shriver
  • "Éramos dezessete na família, meus irmãos e irmãs não são nada para mim". James Joyce

Responsable Librería, Daniel Aksman


Mutaciones del sujeto contemporáneo na livraria de nosso VIII Enapol

Mutaciones del sujeto contemporáneoAA.VV
(Colección Orientación Lacaniana, Grama, Buenos Aires, 2016)

O título é uma afirmação, assistimos a mutações na subjetividade. Os trabalhos que compõem o livro estão agrupados em três seções:

"Cicatrizes do pai" reúne uma conferência de E. Laurent, em seguida aos atentados em Paris e um intervenção de M. Bassols que inclui a epidemia de violência de gênero e a singularidade do trauma de sujeitos afetados pelo atentado de Atocha.

Sob o título "Uma ordem de ferro" encontramos trabalhos de L. Gorostiza, S. Ons, M. Barros, P. Vallejo e uma entrevista ao sacerdote, poeta e ensaísta H. Mujica. Seu núcleo gira em torno da preeminência do discurso capitalista com seu mandato de gozo que prioriza as satisfações dos corpos em detrimento do registro simbólico.

Na seção "Entornos do vazio", G. Musachi, J. Assef, J. L. Tuñón e G. Cottino fazem um percurso pela literatura, pela arquitetura e pela arte buscando aportes para desentranhar a subjetividade da época. Integra a seção una entrevista à escritora S, Schwelbin.

Diana Dukeslky


Política Lacaniana, Seminario dictado por Jacques-Alain Miller, na livraria de nosso VIII Enapol

Política Lacaniana, Seminario dictado por Jacques-Alain Miller(Diva, Buenos Aires, 1999)

Este texto corresponde ao ano letivo francês de 1997-98. J.-A. Miller ditou este seminário no marco da Seção Clínica de Paris, no âmbito da crise que a AMP atravessou durante esse período.

Atualmente, adquire uma vigência fundamental, já que se poderia interpretar como o princípio de uma "série" de vivências e reflexões no pensamento de J.-A. Miller, que desembocarão em um renovado compromisso pela "política".

Permite-nos percorrer o caminho que levará JAM a dizer, em 11 de junho de 2017: "Campo Freudiano, ano zero". Tudo começa sem ser destruído, para leva-lo a um nível superior e que, m seu conjunto, estará mais unido à La movida Zadig (ZERO ABJECCION DEMOCRATIC INTERNACIONAL GROUP)"

O eixo central do seminário gira em torno da política lacaniana, na qual JAM distingue três sentidos possíveis do substantivo "política": a política em geral, a política na psicanálise e a política no tratamento.

Desprende-se deste texto que as modalidades de "saber fazer com isso" (savoir y faire) têm suas consequências não só na clínica, mas também na vida institucional e no laço associativo que se entretece na comunidade analítica.

E, hoje, à luz do acontecimentos vividos, não seria ousado dizer que esse savoir y faire, incide no presente e no futuro de nossos povos e nos convoca, cada um, a escolher mais além da concebida posição analítica entendida como neutralidade benevolente.

Boa leitura!

Mirta Nakkache (EOL)


Pasos hacia una economía de los goces, de Gerardo Arenas, estará em nossa livraria

Pasos hacia una economía de los goces (Grama, Buenos Aires, 2017)

Com o estilo e a rigorosidade que caracterizam o autor, este livro convida a não ter como assentado os saberes estabelecidos.
Parte do que chama uma espécie de oximoro, já que falar de economia dos gozos seria um recurso poético para cometer a impossível agregação entre dois elementos de natureza heterogênea: gozo e economia.
As palavras não alcançam nomear por completo a zona obscura do gozo.
Em contraposição, a economia alude a algo concreto e definido, vinculado aos aspectos materiais da existência. Remete à medida e à contabilidade dos bens com a possibilidade de submetê-los às leis matemáticas do cálculo.
Gerardo Arenas, sem tomar os ensinamentos de Freud e de Lacan como letra morta, mas partindo delas, avança sobre uma hipótese própria:
"Suponhamos que o gozo da vida se distingue do gozo do Outro e que este não existe. Por ser sempre nulo, não há razão para que o gozo do Outro ingresse em uma economia que ele não poderia afetar em nada.
O gozo da vida, em contrapartida, deve formar parte dessa economia, já que suas perdas ou incrementos são uma variável chave para a experiência analítica - assim dizem os próprios analisantes.
Propomos então:

  1. Não confundir gozo do Outro e gozo da vida
  2. Aceitar que não há gozo do Outro
  3. Excluí-lo ( por ser nulo) da economia dos gozos
  4. Substituí-lo, nela, pelo gozo da vida"

Ele põe à prova os desenvolvimentos teóricos lançados neste texto. Para isso, lança mão de exemplos de três testemunhos de AE, a fim de verificar como, mediante a análise, a redução do gozo do sentido e do gozo fálico, permitiu maximizar o gozo da vida.
Por fim, avança lançando luz sobre temas que continuam sendo atuais dentro do campo da psicanálise: o trauma, o autismo e o fenômeno psicossomático.
María Luján Ros

Neste livro se encontrará um breve ensaio sobre a pluralização dos Nomes do Pai.


El psicoanálisis a la hora de la guerra, na livraria de nosso VIII Enapol

El deseo del analistaMarie-Helène Brousse (Compiladora)

Artículos de: J.-A. Miller, E. Laurent, Guy Briole, Gil Caroz e outros

(Tres Haches, Buenos Aires, 2014)

Esta magnífica compilação realizada por M.H. Brousse propõe um giro à pergunta que Freud deixou formulada, em seu texto de 1932: "Por que a guerra?".

O texto avança através dos interessantes e valiosíssimos aportes de diferentes autores, cada um deles com uma perspectiva específica, até chegar a uma conclusão muito ousada: "a guerra é uma das formas dominantes do laço social interhumano". A guerra concebida não mais como uma simples manifestação da agressividade, uma vez que implica sempre uma lógica de discurso, de significantes mestres, sejam eles religiosos, morais, nacionais, étnicos ou técnicos. É também uma posta em ato da figura do Supereu, em um dado momento histórico: nosso século XXI, de acordo com o declínio do Nome do Pai e das figuras de autoridade tradicionais; em benefício da cifra, do estatuto do Um sozinho do sujeito e até de uma nova psicologia das massas. As tecnociências permitem fazer a guerra sem pôr o corpo ou - por que não? – expondo-o em tempo real, na mais cruel manifestação de dejeto.

Os ensinamentos de J. Lacan e as investigações insólitas de J.-A. Miller convocam os analistas, uma vez mais, a não retroceder diante dos modos de gozo impostos pelos discursos do tempo, neste caso, ao porque das guerras.

Mirta Nakkache (EOL)


El deseo del analista de Javier Aramburu, na livraria de nosso VIII Enapol

El deseo del analista (Tres Haches, Buenos Aires, 2004)

Não cessa de ser reimpresso e de ser referência inegável. Um libro que reúne os ensaios e conferências de mais de 20 anos de produção, que dá conta e deixa pegadas do desejo decidido de Javier Aramburu, que, aqui, como autor, se reflete em seu compromisso com a época e com a elucidação rigorosa dos conceitos que aborda.

Compartilho uma citação que reflete sua atualidade e que recorto em ressonância com a V Noite Preparatória para o Enapol: " Da ficção do pai ao inconsciente real".

"Pensa-se que a psicanálise, em geral, e a histeria, em particular, é um processo que se produziu em uma etapa de mudança, entre a época vitoriana e a modernidade, ou seja, em um momento de transição, momento de crise de uma sociedade muito repressora, uma sociedade que começava a rachar; aí, efetivamente a psicanálise teve seu começo. Mas, dessa realidade, se deduzem coisas que me parecem equivocadas. Deduzem, por exemplo, que o inconsciente é efeito da repressão, efeito da repressão das pulsões sexuais e que os sintomas são o retorno deformado dessas pulsões inconscientes, que foram sufocadas pela autoridade de seus pais e que, ao liberar-nos dessa autoridade, dessa repressão paterna, se dissolveriam os sintomas e, com eles, o inconsciente. Se postula também, de certa forma, o fim do Édipo. Por certo que a repressão, em Freud, desempenha uma função importante, porque, para ele, possibilita que o sujeito se adeque aos ideais, à maneira como o Outro queira que nos vejamos, conforme ele mesmo. Daí se deduz que o inconsciente seria o avesso do discurso de mestre. Do mestre representante do Outro simbólico. Então, há uma série que inclui o mestre, o pai, o Outro simbólico, o ideal, o supereu. Uma série que convoca a repressão, embora pareça que demanda submeter-se ao mandato da lei.
Assim, podemos dizer que o sujeito, por amor ou por temor ao pai, ou por ambas as coisas, reprimiria sua sexualidade, seus desejos, os desejos que não estiverem de acordo com esse ideal. Aqui, o inconsciente claramente é visto como efeito do pai, a repressão paterna é causa do inconsciente, mas a causa do inconsciente, na verdade, é a castração. O problema que agora se coloca é se é possível que a transmissão da castração não esteja sustentada na figura paterna, ou seja, se há uma certa diferença entre castração e Édipo" (pp. 132).

Juan Pablo Martin Mogaburu

Não conheço ninguém que não tenha me falado, com entusiasmo, sobre a absoluta singularidade da escrita de Javier Aramburu.
Carlos Rossi, Julho de 2017


¿A quién mata el asesino? Psicoanálisis y criminología de Silvia Elena Tendlarz y Carlos Dante García estará em nossa livraria

El padre modelo (Paidós, Buenos Aires, 2014)

Para recomendar este livro, nada melhor que os comentários sobre ele feitos por J.-A.Miller na apresentação realizada em 29 de abril de 2008 e publicada sob o título "Nada é mais humano que o crime ". Leiamos alguns parágrafos:
"Tomo a palavra para celebrar o lançamento deste livro, cujos méritos são deslumbrantes: é claro e está bem ordenado; a amplidão de sua informação não é apenas para os especialistas, pois se endereça a um público amplo. Está escrito em uma língua comum e, a cada vez que introduz palavras próprias do vocabulário da psicanálise, ou do direito, é dada uma explicação. Isto não é comum nos trabalhos dos psicanalistas. Vocês encontrarão referências e nomes próprios que não conhecem e que testemunham o esforço por parte dos autores para ir mais além da biblioteca habitual dos analistas. Em minha opinião, este trabalho será útil tanto para os analistas como para os agentes do aparato jurídico. Trataremos de imaginar que uso poderá ter para eles. A clínica apresentada neste livro resulta de uma interseção entre a psicanálise e o direito. Ao lê-lo, poderia parecer que há duas clínicas. Junto à clínica psiquiátrica e freudiana, o próprio discurso do direito produziu sua própria clínica selecionando os elementos que podia incorporar. É, a um só tempo ou sucessivamente, uma clínica policial e jurídica".

"Quando se lê ¿A quién mata el asesino?, a pessoa se identifica com a vítima. As quatro páginas do Prólogo são para fazer pensar sobre o que significa "e todos assassinos!". Pelo menos, todos somos suspeitos. Caso se formule a pergunta sobre se devemos assumir a responsabilidade dos sonhos imorais, Freud responde que sim Analiticamente, o imoral é uma parte de nosso ser. Nosso ser inclui não só a parte da qual estamos orgulhosos..."


"Neste livro, há umas páginas muito interessantes sobre uma mulher criminosa interrogada publicamente por Jorge Chamorro, o caso Hortensia. Durante a apresentação de enfermos, que durou uma hora e meia, nosso colega conseguiu mostrar que se tratava de uma psicose, ao passo que o diagnóstico inicial era de histeria".

"Se agora alguém se perguntar o que seria o direito inspirado pela psicanálise, pelo menos um direito que não desconheça a psicanálise, poder-se-ia dizer que seria um direito que matizaria sua crença na verdade".

Daniel Aksman
Tradução: Vera Avellar Ribeiro


El padre modelo, de Manuel Zlotnik, estará em nossa livraria.

El padre modeloGRAMA Buenos Aires 2016

Neste livro se encontrará um reve ensaio sobre a pluralização dos Nomes do Pai.
A pregunta que orienta todo o seu desenvolvimento é: O que Lacan quer dizer quando passa do Nome do Pai para os Nomes do Pai?
A construção do pai modelo reúne várias peças solta tomadas dos distintos momentos do ensino de Lacan, mas realizando um pormenorizado percurso sobre o conceito de Nome do Pai, para captar como Lacan adverte e antecipa sobre o declínio do pai na sociedade atual.
A solução lacaniana diante do declínio do Nome do Pai não consiste em restituí-lo, mas em recuperar "os pais nas distintas versões da pluralização", como uma "reformulação do pai em outro estado que já não é o ideal", porém mais próximo ao sinthoma.
Apoia-se em desenvolvimentos de Jacques Alain Miller e Eric Laurent, os quais sustentam que o declínio do pai se verifica na época atual, uma vez que já não existe um Outro que ordene e pacifique. É a "época líquida", na qual os sujeitos se encontram em uma corrida ilimitada, comandados por seu plus de gozar.
Diante do imperativo categórico do empuxo ao todo da época, os pais modernos se veem intimados a cobrir a demanda ilimitada de seus filhos, se dispõem a conseguir-lhes os objetos gadget que acalmam a frustração. Mas, a rigor da verdade, o objeto plus de gozar libera o pai de encarnar e transmitir a função de limite.
Manuel Zlotnik apresenta este pai modelo como quem, desde o real de sua castração, sabe se virar com o real que não tem inscrição simbólica e sem recorrer à sua repressão nem a sua significação fálica. É "a maneira singular que cada um encontra de ser pai", o que supõe que estas marcas sejam múltiplas e cada uma excepcional.
O autor confronta o leitor com a inevitável consequência de que a função paterna já não seja a de metaforizar, mas a de versionar em um meio-dizer sobre o que não há.

Maria Lujan Ros


Cuando el Otro es malo… de Jacques-Alain Miller y otros estará em nossa livraria

El mito individual del neurótico(Paidós, Buenos Aires, 2011)

O "Outro malvado" é realizado a partir de seis casos clínicos - apresentados sem dúvidas de diagnóstico no que concerne à psicose - e de uma conversa que convida você a continuar lendo até o fim, sob um formato dinâmico e ameno que percorre os desfiladeiros da construção das diferentes versões singulares da maldade do Outro.
O que extrair como um mais de saber a partir da leitura deste livro?
Em primeiro lugar, a construção lógica da apresentação de um caso, seguida do lugar do comentador que percorre e recorta o "detalhe clínico" para extrair dali, desse coletivo, as variações que se deixam ver no caso por caso.
Mas podemos acrescentar, o que é essencial, o lugar que cada analista - cada um com seu próprio estilo - ocupa diante da psicose. JAM conclui: "evitando posicionar-se como sujeito suposto saber diante destes sujeitos psicóticos. Além desta recomendação, cada um demonstrou, com o paciente que lhes cabia receber, como inventava a medida". Ou seja, o invento do analista para que estes sujeitos possam tornar sua vidas mais suportáveis e encontrar a possibilidade de como lidar com a maldade dos outros.
Por último, orienta-nos sobre duas das questões clínicas assinaladas por Lacan: O que queres de mim? e Você pode me perder? Inclui-se uma terceira: Do que goza?, que nos leva a nos posicionar no ponto "original" do sujeito. A maldade está ligada à cadeia significante, dado o "subentendido", de tal forma que sempre podemos supor no Outro, uma vez que somos falados desde ele, suas más intenções.
A malevolência difusa ou mais localizada é apresentada nestes casos como modos singulares com que cada sujeito lida com seu gozo, como um modo de tratamento do gozo. Por acaso isso só poderia ser situado na psicose? Cada um tirará suas conclusões.

Catalina Bordón


O mito individual do neurótico de Jacques Lacan estará em nossa Livraria

El mito individual del neurótico(Paidós, Buenos Aires, 2010)

Lacan inicia a conferência com o anúncio de que irá apresentar um tema "novo" e "difícil", e solicita a "indulgência" do auditório.
Considera o Complexo de Édipo um mito destinado a apreender, por meio da palavra, uma verdade que sempre foge.
A dimensão paterna em sua centralidade a divide em sua função normativa e a imagem sempre degradada do pai.
Para por à prova sua proposição, realiza uma apurada análise do texto do Homem dos ratos. Situa a função simbólica e os desdobramentos imaginários que presidiram a união dos pais e que se repetirão nos dilemas que submergiram o sujeito na neurose. Com as mesmas categorias, analisa as aventuras amorosas (amoríos) de Goethe.
Esse "pequeno drama" fantasmático é o mito individual do neurótico.
Já distanciado do estatuto universal do complexo de Édipo freudiano, ao remetê-lo à sua particularidade, conclui que o efeito patogênico se situa no intervalo entre a função simbólica do pai e sua condição de pai carente, "humilhado".

Diana Dukelsky


Lacan, la política en cuestión… Conversaciones, notas, textos de Jorge Alemán, estará em nossa Livraria

Lacan, la política en cuestión… Conversaciones, notas, textos(Grama, Buenos Aires, 2010)

Que possibilidade de laço social se formula desde Lacan? Qual laço, dado o trauma de lalíngua, que atravessa todo humano e deixa cada sujeito livre à sua solidão? Se não há relação, nem garantias do Outro, se não há metalinguagem, resta somente saber fazer com a fantasia de cada um. Na contingência. Esse saber fazer será, na arte, na amizade, no amor e especialmente na ordem do político. A ideologia, para Alemán, é a fantasia fora da experiência analítica.

"O que é o comum? Se o ponto de partida não é o para todos que caminha para um ponto ideal, um ponto final, utópico, sem fraturas nem antagonismos, (…) se o entendemos como aquilo que brota da não relação sexual, o comum surgindo da solidão sintomática em relação ao inconsciente sem dialética nem superação alguma".

"Depois do discurso analítico, a esquerda não pode ser utópica, pois nunca existirá uma sociedade reconciliada consigo mesma e sem fratura".

Estes são alguns dos conceitos que se pode encontrar no livro, que vocês poderão comprar em nossa livraria do Enapol, e que aborda uma perspectiva dos laços sociais desde o discurso da psicanálise.

Esmeralda Miras
Tradução: Vera Avellar Ribeiro


Cartas a seus filhos de Sigmund Freud, estará em nossa Livraria

Cartas a sus hijos(Paidós, Buenos Aires, 2012)

Freud Pai seria um outro bom título para este livro pleno de magnificas cartas dirigidas a seus filhos. Pai de seis filhos, Freud não descansava da escrita nem seque quando estava de férias. Nesse livro encontramos conselhos, recomendações, ácidas opiniões, demonstrações de afeto e até mesmo os últimos desejos de um homem que, se não soubéssemos nada de sua vida pública e profissional, ao ler essas páginas pensaríamos que seu papel principal e mais importante foi o de pai.

Por que ler Cartas a seus filhos? Considero que o motivo principal que eu escolheria para responder a essa pergunta é o fato de que, ao longo de sua leitura, nos encontramos com um Freud verdadeiramente surpreendente e autêntico, um homem que dedicou sua vida à investigação e à psicanálise, mas que não se descuidava, nem por um segundo, do papel que havia escolhido decididamente: o de Pai.

Um Freud diferente que vale a surpresa de conhecer.

Gloria Casado

Tradução: Vera Avellar Ribeiro


MiserereMiserere, de Germán García, estará em nossa Livraria

(Mansalva, Buenos Aires, 2016)

Miserere é um romance. Mas é também poesia e sons combinados. Tal como gostava a irmã do personagem, "tão banal ela, já que preferia as canções aos livros".

Em um tempo de rodamoinho que vai e vem em um espaço argentino, pampas e cidade, bares e bunkers, Circa, El Farolito, Os leões, o herói se torna amigo de Rainer, em homenagem a Rilke. Observa entre curioso e descrente o resto dos jovens do grupo nacionalista em seus debates sobre a política e a ação e permanece lá, a partir da borda leste, dizendo a si mesmo uma e outra vez que é para garantir a si mesmo a proximidade de uma mulher, Eugenia, irmã de seu amigo. Com ela, amor, ternura, paixão, erotismo.

Um desfile de histórias do país entre os anos 55 e 62 nos quais ressoam Eichmann, Penjerek, azuis e vermelhos, Frondizi, quem diria, tentava jogar xadrez com pessoas que jogavam o truco, ou Illia, que não incomodava ninguém, mas irritava a todos. "O homem" e Framini, que dirá, vingança do peronismo.

Pátria e mulher.

Busca até as últimas linhas, de um homem, agora maior, em um território insondável.

Esmeralda Miras